A rotina suicida a poesia de nossos dias

São seis horas da manhã.

Você acorda, logo depois que seu despertador toca, procura o chinelo com os pés e, quando os encontra, tenta reunir forças para levantar da cama. Você levanta. Não sabe ainda se está ou não acordado, mas segue até o banheiro – onde lava o rosto e evita o espelho.

Depois volta ao seu quarto, tira o pijama e coloca o “uniforme” – que agora parece disforme em você. Calça os sapatos, confere as notificações no smartphone, vai até a mesa e esquece de saborear o café, apenas o engole depressa.

Escova os dentes e confere o visual rapidamente no espelho. Pega a chave do carro, dá um tchau breve à quem está em casa e vai ao encontro daquilo que tomará conta da maior parte do seu dia – seu emprego.

É meio dia.

Você esqueceu o seu almoço, então trata de ligar e pedir uma marmita. Se desse sorte almoçaria em casa, mas se lembra que o pé que primeiro pisou no chão foi o esquerdo. Que pena.

Já é uma da tarde e parece que o almoço não teve tempo de “descer”, mesmo assim, você já está preparado – ou pelo menos tenta acreditar que está – para o restante da jornada.

Sua cabeça não sabe mais se está fazendo vendas, planejamentos, ações, prospectos ou sabe se lá o quê. Se alguém te visse agora poderia ter achar parecido com algum personagem de The Walking Dead, porque nesse exato momento você só está contando as horas, minutos e segundos para que o relógio marque 18h00.

São seis da tarde.

Passa o cartão ponto, se despede dos colegas de trabalho e vai pra casa imaginando um banho quente, uma boa comida e sua cama preparada pra te receber. Finalmente está em casa e se prepara para realizar as ações que imaginara a pouco.

Tua família não viu direito seu rosto, vocês não trocaram ideias ou alguma conversa boba. Ninguém sabe como foi seu dia simplesmente porque você estava cansado demais pra tudo isso.

Agora é meia noite.

Você está dormindo e a vida lá fora está passando. Você sonha que está vivendo, porque enquanto existe ainda não aprendeu a viver.

André Dahmer
André Dahmer

 

“Nós somos estranhos para quem nós costumávamos ser…”

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Agnes Gomes

oi@agnesgomes.com.br
Arapongas, Paraná, Brasil

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